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História da Soja no Brasil

A soja cultivada atualmente é muito diferente dos seus ancestrais, que eram plantas rasteiras que se desenvolviam na costa leste da Ásia, principalmente ao longo do rio Yangtse, na China. Sua evolução tem como responsáveis cientistas da antiga China, cruzando naturalmente duas espécies de soja selvagem que foram assim domesticadas e melhoradas.
A história da Soja no Brasil iniciou-se em 1882, com a entrada dos primeiros materiais genéticos testados na Bahia pelo o professor Gustavo Dutra, da Escola de Agronomia da Bahia. A ideia inicial não era ser um cultivo principal, mas sim uma forrageira para rotação de culturas. A experiência mostrou-se infrutífera uma vez que o germoplasma trazido dos EUA não era adaptado a baixa latitude.
Em 1900, a sua semeadura foi testada em uma latitude mais baixa, no Rio Grande do Sul, tendo dessa vez sucesso na produção, sendo que o clima era semelhante ao das origens das plantas (Sul dos EUA). Quatro décadas depois, em 1941, ocorreu a primeira produção comercial brasileira, no município de Santa Rosa, Rio Grande do Sul. Com uma área cultivada de 640 ha, produção de 450 toneladas e rendimento de 700 kg/ha. O cultivo avançou e a disseminação da planta continuou no sul do Brasil. Na década de 50 a produção brasileira já era de 100 mil toneladas.
No final da década de 60 temos um outro ponto relevante que alavancou o desenvolvimento do plantio da Soja, sendo que os produtores de trigo brasileiros buscavam uma opção para a safra de verão e viram nela um parceiro ideal. Com essa cooperação ocorreu um salto na produção, saindo de 206 mil toneladas, em 1960, para 1,056 milhões de toneladas em 1969. A demanda também se fazia alta uma vez que tínhamos um esforço crescente para produção de suínos e aves.
Até 1970, os plantios comerciais de soja estavam estabelecidos em regiões de climas temperados e subtropicais, cujas latitudes estavam próximas ou superiores aos 30º (sul do país). Na década de 70 a produção comercial de soja já era uma realidade se consolidando como principal cultura do pais (15 milhões de toneladas em 1979).
Esse aumento de produção não está ligada somente a área plantada mas ao aumento significativo de produtividade. Em 1975, com o propósito de desenvolver tecnologias para produção de soja no Brasil, a Embrapa Soja instalou-se junto à Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar) e depois para junto do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR).
Fachada da Unidade – Foto: Arquivo Embrapa Soja
O grande desafio da Embrapa Soja era de desenvolver variedades adaptadas às condições tropicais com baixas latitudes, depois adentrar com uma planta no cerrado brasileiro. Podemos dizer sem sombra de dúvidas que o sucesso da evolução e disseminação da Soja em território brasileiro é por conta do trabalho árduo dos pesquisadores da Embrapa Soja.
Na década de 1980 com o avanço das pesquisas de sementes foi possível adentrar com a cultivar no polígono dos solos ácidos no centro oeste e triangulo mineiro e posteriormente Tocatins, Piaui, Bahia e Maranhão.
Avançando nas décadas de 1980 e 1990, o governo brasileiro formulou políticas relevantes para aumentar a produção de soja e sua industrialização, tendo como alvo o mercado internacional. A redução do imposto de importação de fertilizantes foi o ponta pé inicial, depois foi retirada todas as restrições sobre a proporção de investimento estrangeiro na agricultura local e na sequência a extinção do imposto de exportação.
Isso ajudou muito na criação de polos industriais de processamento onde entre 1995 e 1997, as quatro maiores esmagadoras da epoca, Ceval (Bunge), ADM, Cargill e Coinbra(Louis Dreyfus) tiveram, juntas, suas participações aumentadas de 31,0% para 46,5% do total da capacidade nominal de esmagamento (PAULA e FAVERET FILHO,1998). Entre 1990 e 2001, a produção de óleo de soja do Brasil aumentou em dois terços e as exportações dobraram.
A industrialização da soja consiste em duas etapas: produção do óleo bruto, obtendo farelo como resíduo, e o refino desse óleo bruto. A produção de óleo bruto se divide em 3 etapas: armazenamento dos grãos, preparação dos grãos e extração do óleo bruto. O refino tem como objetivo melhorar a aparência, sabor e odor do óleo.
Além dos uso alimentício, durante o governo Lula em 2004, foi lançado o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) tendo a soja como protagonista. Hoje o Brasil está entre os maiores produtores de biodiesel, atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha. Segundo o site Biodieselbr ( https://www.biodieselbr.com/usinas_brasil ) existem 70 usinas de biodiesel de soja sendo 21 delas no estado de Mato Grosso.
Atualmente a produção de Soja no mundo é de 362,947 milhões de toneladas tendo uma área plantada de 127,842 milhões de hectares (FONTE: USDA 06/2021). O Brasil é o maior produtor mundial do grão com uma produção de 135,409 milhões de toneladas e uma área plantada de 38,925 milhões de hectares tendo uma produtividade de 3.517 kg/ha. (Fonte: Conab)
Os estados com maior produção são: Mato Grosso com produção de 35,947 milhões de toneladas, área plantada de 10,294 milhões de hectares e produtividade: 3.492 kg/ha. Rio Grande do Sul com produção de 20,164 milhões de toneladas, área plantada de 6,055 milhões de hectares e produtividade de 3.330 kg/ha, Paraná com produção de 19,872 milhões de toneladas e área plantada de 5,618 milhões de hectares e produtividade de 3.537 kg/ha, e Goiás com produção de 13,720 milhões de toneladas, área plantada: 3,694 milhões de hectares e produtividade de 3.714 Kg/ha. Fonte: Conab
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