Crise? - article by Andre Magrini

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Crise?

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Crise? - article by Andre Magrini

Já se vão quase 20 anos, mas parece que foi ontem. Era agosto de 1998 quando embarquei para uma viagem de duas semanas para Kathmandu, Nepal. Fui a convite de meu pai, com poucas expectativas, mas no final retornei transformado, conhecendo uma realidade e modo de viver totalmente diferente do meu, brasileiro, crescido no interior de Mato Grosso do Sul.

Aprendi que existe muita coisa lá fora, e que é necessário estar aberto para o novo. Depois dessa viagem vieram outras mais, casamento, família e vida lá fora, tento trazer de cada experiência uma força nova dentro de mim para estar preparado para o inesperado.

Assim ocorreu com o Brasil, vinha em uma ascendente econômica impressionante e de repente uma mudança brusca trouxe-nos a palavra Crise e uma mudança inesperada em nossas vidas. Quando você ouve a palavra crise tão propagada pela mídia, sentimos tudo o que ela representa e trazemos essa dificuldade para dentro de nossas cabeças. Quem é da área comercial ouve também que devemos ser mais agressivos comercialmente, insistentes e até arriscar-nos ao limite da ética de vendas, onde algumas empresas acreditam que estamos em uma guerra contra o cliente.

O que eu aprendi em minha carreira é extremamente o oposto e isso me ajudou a ver a “Crise” de uma forma diferente. Acredito que o momento o qual passamos não é o momento de vender para aumentar as vendas e sim a oportunidade de criar clientes fiéis, por que em momentos de dificuldade é que se criam relacionamentos realmente duradouros.

Quando comecei minha carreira trabalhando em um Banco privado vendendo seguros lembro-me que o direcionamento era vencer as objeções, hipnotizar o cliente independente do que fosse para fechar. Muitas vezes o cliente comprava, pois, se cansava após horas de argumentação e quando retornava a agência desviava o olhar e a direção para não ter que trocar um par de palavras comigo. Além disso, meu Gerente nos pressionava semanalmente sempre com um roteiro e um discurso pronto escrito pelo banco: – "Quando vocês deixam o cliente escapar vocês perderam."

Não precisava nem dizer, mas algum tempo depois percebi que esse modelo não ia dar certo. Primeiro por que os clientes compravam uma vez só, e segundo por que o universo de clientes da agencia era pequeno. Por falta de experiência ou excesso de ingenuidade acreditei que aquele era o perfil de todo vendedor vencedor e por experiências vividas hoje sei que o vendedor de sucesso não é o que pensa a curto prazo e sim o expert em manter relacionamentos. Depois que compreendi essa máxima me senti como aquele garoto que voltava do Nepal, transformado, e mais uma vez fortalecido para enfrentar o inesperado.

Hoje o que espero sinceramente é a satisfação do meu cliente, e sei que o nosso relacionamento vai gerar frutos mútuos, que gerará respeito e mais negócios. O recado que passo ao time o qual lidero atualmente é de levar em conta tudo o que influencia nossos clientes, recomendar e compartilhar experiências para ajuda-los a ter sucesso em seus próprios negócios. Minha dica é enxergar as oportunidades que surgem em cada nova mudança que ocorrem em nossa vida e assim agir de maneira diferente.

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